Você conhece a história da torre de Babel? Um conto famoso encontrado no livro de Gênesis, da Bíblia. Há quem duvide dele. Mas meu objetivo aqui não é discutir sua autenticidade. Tenho aprendido a amar esse episódio da história, porque vejo ela como um exemplo. E quero compartilhar com você um pouco do que aprendo.

Na história de babel os homens construíram uma cidade e nela uma torre. Alta, forte, com o intuito de tocar os céus. Falavam a mesma língua e se entendiam nesse propósito. Mas não era apenas para tocar as nuvens que a construíram. Era ao mesmo tempo a construção de um nome, um legado.

E Deus, vendo isso, desce dos céus que aqueles homens queriam alcançar e confunde seus idiomas. A grande empreitada humana de chegar ao topo e deixar uma marca de poder ruiu porque Deus desceu.

A essa história a Bíblia dedicou apenas nove versículos. Não há detalhes de homens numa intensa luta por não se entenderam. Nem relatos de um governo em crise tentando administrar um grupo social que se divide. Não! Há apenas uma humanidade unida em um propósito ambicioso e um Deus que interrompe todo o projeto, dividindo os homens. E penso, na minha humilde opinião, que a bíblia não precisava dar mais informações porque vivemos Babel.

Pense um pouco no que motivou os homens a construir a torre. Talvez pela grandeza deles? Demonstração de força? Unidade? Conhecendo a natureza humana, acho improvável. Não somos grandes ou fortes em nós mesmos. Mas talvez não tenha sido o excesso, quer de força ou inteligência, que moveu os homens. É mais provável que tenha sido a carência de algo, a ausência. Mas o que está faltando?

Deus escreveu a eternidade no coração do homem. No nosso coração. A terra e todas as coisas que estão aqui são incapazes de preencher esse espaço eterno que há dentro de nós. Porque elas tem validade definida. A eternidade não. E se focarmos naquilo que falta ao nosso coração, Romanos nos diz que todos pecaram e carecem da glória de Deus. Estão destituídos dessa Presença. Nisto está a ausência que todos os homens possuem. Na distância incalculável que há entre a terra e o céu. Entre nós e Ele.

Pense nas torres de babel que nós construímos. Uma pilha de bens, sentimentos, títulos, pensamentos, orgulho que julgamos ser suficientes para alcançar o céu. Confiamos nestas coisas como se elas pudessem nos tornar grandes ao mesmo que tempo em que nos preencheriam. Como se fossem suficientes para criar um nome que pudéssemos usar e ser conhecidos. Mas, todas as coisas são por Ele e para Ele, inclusive nós. Construímos uma babel na esperança de obter segurança, legado e satisfação. O problema é que sem a eternidade dentro de nós permanece insaciável.

E há outra questão. Por maior que seja esta pilha que estamos construindo, ela nunca alcançará altura suficiente. É simplesmente impossível alcançar os céus com nosso esforço. Eles estão mais altos do que tudo. E essa verdade é devastadora. Ela é como um muro que nos cerca e nos impede de achar o caminho. Tudo o que fizermos não passa de vaidade, como Salomão já tinha aprendido. É simplesmente impossível terminar a torre. Ela nunca terá altura para nos restituir aquilo que nos preenche plenamente. Deus não está no alto da torre de Babel. Ele está além.

Você já parou pra pensar no quão incompletos somos? Na força que gastamos na tentativa de preencher essa eternidade dentro de nós? Ao longo da história da igreja vários homens e mulheres ficaram incomodados com essa “ausência”. Eles perceberam a situação desconfortável em que estavam. Há em nós esse espaço eterno e infinito. Ao mesmo tempo somos incapazes de preenchê-lo com o que está a nossa disposição. Se você tentar ser completamente bom, sua incapacidade vai te surpreender. Se viver de forma libertina, aproveitando tudo o que há no mundo, descobrirá que os prazeres de uma distração. Eles são incapazes de preencher-nos completamente.

Mas a grande questão não gira ao nosso redor. Porque Deus faz isso? Porque Ele nós cerca com muros e nos impede de achar o caminho? Qual o seu propósito em nos cercar de forma que não importa se corremos para a religiosidade extrema ou libertinagem absoluta, permaneceremos incompletos? Porque Deus está tão alto?

Deus cerca os nossos caminhos e enche o nosso coração com essa fome eterna para que nos reste uma única direção para olhar, para cima. De onde Ele vem ao nosso encontro. Agora este parece ser um texto de natal. Paul Washer diz que não encontramos estrelas no céu se não estiver escuro. Da mesma forma, é necessário perceber a nossa fraqueza e fome para compreendermos a luz que existe em Jesus Cristo.

Lembra-se que na história de Babel Deus desceu e mudou tudo? Na nossa história, na nossa torre, Ele faz o mesmo em Jesus. Ele desce, Ele confunde as línguas, de forma que não há mais unidade entre nós e o mundo. Ele divide os homens através de seu sangue e sua pessoa. Ele veio trazer espada e aquele que com Ele não ajuntar, espalha. Ele interrompe a nossa construção interminável e começa a construir em nós uma boa obra. E Ele, que é a plenitude de todas as coisas, enche o nosso coração e transborda.

Nessa época de Natal é comum pensarmos em Cristo. E o que Deus fez em Jesus é majestoso. Ele se fez acessível em Jesus. Se fez visível em seu Filho. Deus se fez humano em Cristo. Aquela ausência que há em nós é preenchida pelo autor de todas as coisas. A distância que há entre o céu e a terra termina em Jesus. Nele, a eternidade toca nossa efemeridade. Nele somos cheios. Nele somos.

Em Cristo, o homem perfeito. O quão perto Ele está de nós? Por ser eterno, Ele não está perto apenas daqueles que conviveram com Ele na Judeia. Ele está perto dos homens de todos os tempos, desde seus encontros com Adão até sua presença em nós hoje, esperança da glória, a qual tanto ansiamos.

Não é impressionante que os olhos Dele estão sobre nós desde antes da eternidade? Que tipo de amor é esse que O faz caminhar desde antes da História até nos encontrar? O mesmo Amor que andou com Pedro em cima das águas e que foi tocado por Tomé está presente nos nossos dias. Os mesmos pés que pisaram a Galileia deixam marcas no nosso coração hoje.

Em Jesus e na sua cruz, Deus rasgou o verbo com a humanidade. Ele fez uma declaração a construtores e arquitetos orgulhosos e cansados de projetar torres inacabáveis para que venham construir sua casa sobre a rocha. Mas há um detalhe. O verbo era Deus. Na cruz Deus Pai rasgou seu coração. Moeu seu filho. Rasgou o véu numa declaração de amor onde Ele se faz acessível, presente, Emanuel.

Que Jesus brilhe sobre nós. Que sua paixão e amor nos atraiam continuamente. E que esta Babel para qual tanto nos dedicamos seja esquecida. Que nosso coração espere a mansão que o Carpinteiro fez.
Um Feliz verdadeiro Natal de toda a Equipe Hey!
Texto produzido por João Fardin.