Quando eu era criança os adultos me perguntavam:

— Gi, o que você quer ser quando crescer?

Com um largo sorriso no rosto e com o peito estufado de orgulho eu dizia:

— Eu quero ser missionária!

Em partes era sim pela vocação de missionária em si, mas em partes, eu na verdade queria ser outra coisa. Eu queria ser uma colecionadora de histórias.

Meus super-heróis não eram os mais comuns. Eu gostava de gente, gente de verdade, principalmente as que tinham boas histórias para contar. No caso, as crônicas que eu mais tinha gosto de ouvir eram as dos missionários, por terem aventuras divertidas, engraçadas, às vezes trágicas, mas que no fim tinham uma lição importante, geralmente a ver com algo “divino”. Eu ainda não entendia exatamente essas coisas, mas sabia que faziam meu coração disparar.

Na adolescência, passando pelo processo de encontrar com Cristo de fato, ouvi uma pregadora que marcaria o resto da minha vida. Sem querer puxar sardinha, devo dizer que ela era missionária, e das boas! E adivinhe só o que ela fez? Contou histórias. Contou histórias do que o poder de Deus fazia através de sua vida e como outras pessoas eram afetadas por isso. Histórias paralisantes de filhos sendo libertos de formas malucas e se encontrando com o Pai. Histórias de ciladas que caiu e de como conseguiu escapar pelo Espírito. Histórias de como Deus havia suprido e até curado milagrosamente alguém à beira da morte. Histórias de amor, de perdas e de restauração. Cada palavra incendiava mais e mais o meu coração, eu só queria ouvir mais.

Não resisti. Sentei-me com ela na mesa do jantar, no intervalo da conferência, e lhe disse:

— Sabe, eu admiro muito suas histórias, queria contar para todo mundo que eu conheço, queria que todos ouvissem e te conhecessem, deve ter sido incrível ter vivido tudo isso!

E aqui vai o que marcou a minha vida – ela me respondeu gentilmente:

— Você não deveria contar as minhas histórias. Por que não conta as suas próprias? Sua vida é um livro com páginas em branco e cabe a você buscar por linhas escritas. E se for para escrever, que seja emocionante, não acha?

A partir daquele dia eu corro. Corro para achar as minhas, as histórias que eu vou contar sobre o que o Autor pode fazer com alguém disponível, com alguém desprendido. Hoje eu posso dizer que tenho algumas para contar, mas ainda busco por mais. Quero ter histórias que impactem o mundo, a minha geração. Quero que elas sejam um meio de reconciliação e encontro entre criaturas e Criador. Quero contar histórias para incendiar outros corações e para mostrar minha alegria, prazer e satisfação em dizer que o meu Pai é o Autor e idealizador de todas elas.

Quero ser um livro cheio.

E você, caro leitor? Quais são as suas histórias?

 

Giovana Leite