Era sexta-feira, eu estava desocupada e de férias quando minha mãe me convocou para ir a uma reunião de oração com ela contra a minha vontade. Ela pediu, insistiu, discutimos e ela venceu: eu fui a essa reunião – fui emburrada e muito brava. Quando cheguei na igreja, pouquíssimas pessoas estavam lá e não havia como disfarçar a minha cara de irritada. Eu estava tão chateada que nem fiz questão de mascarar os meus sentimentos. Por isso, as quatro pessoas que estavam lá foram bastante cautelosas e oraram por mim naquela noite. No dia seguinte, fui à igreja novamente e pensei que algumas daquelas pessoas poderiam vir até mim com uma baita bronca, uma cara brava ou desapontadas comigo. Porém, quando eu as cumprimentei, uma delas me respondeu, com um sorriso muito amável e sincero, “você fica melhor assim, de bom humor!”, e outra me falou “sabe, depois de ver você brigada com a sua mãe, eu senti muito amor pela sua vida!”

Quando eu parei para refletir sobre essa situação, eu não compreendi muito bem. Eu havia discutido feio, estava sem razão e meu erro estava tão explícito e tão descarado, que eles poderiam ficar decepcionados e chateados comigo, mas, felizmente, eles decidiram me amar e me receberam no outro dia com muito carinho. Isso, porém, não significa que eles aprovaram a minha atitude. Pelo contrário, pois ninguém ali me defendeu das broncas da minha mãe. Eles, conhecendo o meu erro, permaneceram de braços abertos e ansiosos para me aceitar quando eu me arrependesse.

O amor pelo qual fui amada ali na igreja me lembrou do Amor do Alto. Eu me recordei do Amor de Deus que aceita os seus filhos quando estes retornam arrependidos. E não somente aceita, mas torce para que esses retornem! Você nota isso na história do filho pródigo (Lc 15:11-21)? O filho – que pediu antecipadamente sua parte da herança ao seu pai, saiu de casa e a desperdiçou por completo – retorna a sua terra na esperança de ser aceito como servo. Mas o pai, quando vê seu filho se aproximando, sai correndo ao seu encontro, o abraça, o beija, põe um anel no seu dedo, diz aos seus servos para trazerem a melhor roupa e faz uma festa para comemorar o seu retorno. O filho merecia? Com toda a certeza, não! E dessa mesma forma, Deus nos recebe quando retornamos a Ele arrependidos – nós não merecemos.

A história do amor de Deus por nós é extremamente linda, e ela não acaba por aqui, pois Jesus um dia nos deu um novo mandamento: Como eu vos amei, assim também vós deveis amar-vos uns aos outros (Jo 13:34). Da maneira que fomos amados por Deus em Jesus, nós devemos amar o nosso próximo – Sim, com esse amor de abnegação e imerecido. No versículo seguinte, Jesus diz que essa é a marca dos seus discípulos: o Amor. Portanto, se nós somos Igreja de Cristo, nós devemos agir em amor.

Esse mandamento é simples, mas não é fácil. Muitas vezes, na convivência com outras pessoas podemos perceber nelas defeitos quase insuportáveis. Pessoas podem pisar no nosso pé e cutucar nossa ferida, podem nos trapacear, nos trair, nos magoar profundamente. Dentro da igreja, podemos ver pessoas bem humoradas e mal humoradas, como eu naquela reunião de oração. Algumas delas podem até ter um temperamento e uma forma de pensar que combina com o nosso; outras, porém, são o perfeito oposto! E o que Jesus diz sobre esses dois tipos de pessoa: Ore! Perdoe! Ame!

O que Jesus diz sobre aquela pessoa na igreja que não olha nos seus olhos e nem te cumprimenta direito? Ore! Perdoe! Ame! O que Jesus diz sobre aquela pessoa que sempre pisa na bola, que não cumpre os compromissos? Ore! Perdoe! Ame! O que Jesus diz sobre aquele indivíduo que pensa completamente diferente de você e que até te irrita? Ore! Perdoe! Ame! Não importa se o nosso próximo tem afinidade conosco ou não, nós devemos amar como Jesus amou!

A Palavra diz:

 

“O amor seja sem fingimento. Odiai o mal e apegai-vos ao bem. Amai-vos de coração uns aos outros com amor fraternal, preferindo-vos em honra uns aos outros. A ninguém devolvei mal por mal. Procurai fazer o que é certo diante de todos. Se possível, no que depende de vós, vivei em paz com todos os homens. Não te deixes vencer pelo mal, mas vence o mal com o bem.” Romanos 12: 9, 10, 17, 18, 21

 

E também:

 

“Nisto conhecemos o amor: Cristo deu sua vida por nós, e devemos dar nossa vida pelos irmãos. Quem, pois, tiver bens do mundo e, vendo seu irmão em necessidade, fechar-lhe o coração, como o amor de Deus pode permanecer nele? Filhinhos, não amemos de palavra, nem de boca, mas em ações e em verdade.” 1 João 3:16-18

 

É importante ressaltar que nós não podemos confundir amor e comunhão com a omissão dos erros do outro, com varrer a sujeira para debaixo do tapete e passar a mão na cabeça. Amar é reconhecer as falhas do outro e não o desprezar; é corrigir à luz das Escrituras, interceder e perdoar.

A vontade de Jesus é que todos os seus discípulos sejam um, assim como Ele e o Pai são um. (Jo 17:21) Ele pagou um alto preço por nós para que, mesmo com diferenças de ministérios, dons, personalidades, formas de pensar, permaneçamos na unidade e no Amor. Igreja, vamos perseverar na comunhão!

Quero finalizar com o trecho de um antigo coro que gosto muito e faço dele a minha oração:

 

“Na força do Espírito Santo nós proclamamos aqui
Que pagaremos o preço de sermos um só coração no Senhor.
E, por mais que as trevas militem e nos tentem separar,
Com nossos olhos em Cristo, unidos iremos andar.”

Alto Preço

 

Esther Ayumi